Queda de cabelo na gravidez: o que pode ser?

A gestação é um período de muitas mudanças no corpo da mulher; entenda o que pode causar a queda de cabelo

queda de cabelo na gravidez

Durante a gravidez, o corpo das mulheres se submete a diversas mudanças hormonais que determinam alterações no metabolismo e em todo o organismo, incluindo a pele. Desde a fixação do óvulo fecundado, uma verdadeira explosão de hormônios acontece no corpo feminino causando diversas mudanças por dentro e por fora.

Dentre essas mudanças, a queda de cabelo na gravidez é um quadro que pode ocorrer, tendo um impacto direto no psicológico dessas mulheres. Neste artigo vamos falar um pouco sobre em que situações essa queda pode ocorrer e suas possíveis causas.

Para se ter uma ideia dessas modificações hormonais, o nível de progesterona (hormônio sexual esteroide essencial para o equilíbrio do ciclo do ovário e para a gravidez) e estrogênios (hormônios que regulam a ovulação e as características femininas) no sangue aumenta em até 15 vezes e mil vezes, respectivamente, se comparado ao período pré-gestacional. Sem dúvidas, essas alterações influenciam os corpos das grávidas.

Atualmente, classificam-se as alterações presentes na gestação como mudanças fisiológicas, dermatoses específicas da gestação e dermatoses afetadas pela gestação. A primeira inclui aqueles quadros diretamente relacionados às alterações hormonais; as afetadas pela gestação são aquelas doenças que se agravam ou melhoram durante a gravidez; e, as específicas, cujas doenças acontecem durante a gravidez com repercussão cutânea, como a herpes gestacional e foliculite pruriginosa da gravidez.

Aqui vamos focar nas mudanças fisiológicas, que incluem alterações nos cabelos, unhas e glândulas.

Mudanças nos fios

Durante a gravidez, é comum a aceleração do crescimento dos cabelos, pelos e unhas devido às alterações hormonais. A hipertricose e o hirsutismo, quadros caracterizados por um crescimento excessivo dos pelos, são comuns e costumam regredir em até seis meses após o parto.

Essas situações de excesso dos pelos e cabelos, ou até de fios mais grossos, é comum devido ao prolongamento da fase anágena (crescimento) dos fios durante a gestação. Porém, aproximadamente 30% dos fios entram na fase telógena (queda) no pós-parto.

queda de cabelo na gravidezHormônios

Por outro lado, a perda dos fios durante a gravidez, apesar de menos comum, também acontece. O desenvolvimento da alopecia androgenética na gestação pode perdurar após o nascimento da criança. Quando isso ocorre é preciso averiguar a existência de outra doença endócrina associada.

A queda em decorrência dos hormônios está associada à elevação dos hormônios que regulam o ciclo reprodutivo da mulher. Com eles, os cabelos podem ficar mais fortes, mas dependem também da testosterona para manter a oleosidade natural e não deixar os fios secos e quebradiços.

A progesterona e a testosterona, ambos produzidos nos ovários, estimulam a secreção das glândulas sebáceas, tornando cabelo e pele mais oleosos. Justamente esse excesso de oleosidade pode levar à queda dos fios capilares.

Pesquisa

Uma pesquisa¹ observou mulheres grávidas em São Paulo e percebeu que, dentre as alterações dermatológicas das gestantes, estão tanto o aumento quanto a queda dos fios. Das 124 mulheres estudadas, 20 registraram queda capilar. Esse quadro acontece em decorrência do desequilíbrio hormonal tão comum no corpo das mulheres grávidas e é reversível.

Ainda de acordo com a pesquisa, a alopecia androgenética pode ocorrer nos últimos meses da gravidez, bem como a rarefação difusa dos fios no couro cabeludo. Ambas as condições costumam reverter ao padrão normal de crescimento após o parto.

Uma orientação médica no período de eflúvio telógeno (queda dos fios após o parto) é essencial para identificação e controle do quadro da paciente. Esse acompanhamento também evita o agravamento de possíveis consequências psicológicas devido à mudança de aparência provocada pela queda dos pelos e cabelos.

Dentre as alterações psicológicas provocadas por essas alterações fisiológicas estão sentimentos negativos como tristeza, vergonha, medo, raiva e mudanças comportamentais como isolamento social.

Mesmo que essa situação reverta-se naturalmente depois do parto, orientação nunca é demais. Tratamentos de apoio e aconselhamentos podem amenizar ou evitar a queda de cabelo na gravidez. Por exemplo: usar xampus neutros; reduzir o número de lavagens dos cabelos; evitar alisamentos, secadores e descolorações.

Nutrição

Este é outro fator que pode estar diretamente associado à queda de cabelo na gravidez. Estima-se que a anemia não fisiológica acomete de 20% a 80% das gestações. Destas, a anemia por deficiência de ferro é a desordem nutricional mais encontrada. E, entre os segmentos biológicos mais vulneráveis a essa deficiência nutricional, as mulheres gestantes são as mais vulneráveis.

As principais repercussões maternas em decorrência da anemia na gravidez são: comprometimento físico e mental, labilidade emocional, pré-eclâmpsia, alterações cardiovasculares, diminuição da função imunológica, alterações da função da tireoide e catecolaminas, queda de cabelos e enfraquecimento das unhas.

O acompanhamento pré-natal é essencial para as gestantes. Dentre seus objetivos está identificar possíveis deficiências que venham a ocorrer, como a anemia por falta de ferro, além de sua gravidade e a devida orientação para tratamento.

Como foi detectado cientificamente que os valores de hemoglobina, hematócrito e ferritina diminuem fisiologicamente durante a gravidez, principalmente a partir do segundo semestre e com reações visíveis, a Organização Mundial de Saúde recomenda suplementação com 60 mg de ferro elementar para toda gestante a partir da 20ª semana de gestação.

Apesar dessa orientação da OMS, é indispensável o acompanhamento médico nutricional. Com esse profissional seguindo o período gestacional, uma dieta qualificada e suprindo não apenas essa demanda, mas outras possíveis deficiências nutricionais, garantirá a saúde da criança. Dentre as principais fontes desse nutriente, estão as carnes e frutas ricas em vitamina C.

Queda de cabelo na gravidez: o problema da aparência

A pesquisa que analisou grávidas em São Paulo apurou também que a maioria das gestantes afirma incomodar-se com as mudanças na pele durante o período gestacional, somado a um grupo considerável que declarou se incomodar muito.

Devido aos desconfortos provocados pelas alterações corporais da gestação, muitas mulheres recorrem a alternativas inadequadas que podem agravar o problema. Este é outro motivo que reforça a importância do acompanhamento médico durante a gravidez, para que profissionais qualificados possam orientar a gestante caso seja necessário fazer algum tratamento específico.

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¹Pesquisa disponível em: http://www.redalyc.org/html/3070/307023863012/

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