Finasterida em foco: indicação, atuação e possíveis efeitos colaterais

Finasterida em foco: indicação, atuação e possíveis efeitos colaterais

Embora seja um dos medicamentos mais conhecidos no combate à excessiva queda de cabelo, o uso da Finasterida ainda gera muitas dúvidas entre os interessados nos resultados que podem ser alcançados por meio da sua utilização.

Para esclarecer algumas verdades e mitos sobre Finasterida, reunimos neste artigo as principais perguntas sobre o assunto, incluindo seus benefícios, riscos e indicações.

Se você tem alguma dúvida sobre esse medicamento é a hora de solucioná-las! Confira!

Saiba o que é a Finasterida

Comercializado com os nomes de Proscar, Propecia, Finalop, entre outros, esse medicamento tem como principal ativo a Finasterida e é famoso por sua eficiência no combate à excessiva queda de cabelo.

A Finasterida é disponibilizada em comprimidos e deve ser indicada pelo médico especialista em tricologia e patologias do couro cabeludo para o tratamento da alopecia androgênica — nome científico da “calvície hereditária”, como é popularmente conhecida.

Tire suas dúvidas sobre a Finasterida

1. Como surgiu a Finasterida?

Inicialmente, a Finasterida foi desenvolvida para tratar homens que sofriam de hiperplasia prostática, isto é, homens nos quais fosse constatado o aumento da próstata — o que provoca o estreitamento da uretra e, desse modo, a dificuldade para urinar.

Contudo, um fato curioso, que chamou a atenção da própria indústria farmacêutica que primeiro a lançou no mercado, a Merck, foi o efeito que a tal substância estava provocando nos pacientes, que passaram a verificar um significativo aumento no crescimento dos próprios pelos e cabelos. Foi assim que a Merck decidiu investir no estudo da Finasterida, que veio a se tornar a primeira pílula lançada para o tratamento da calvície masculina.

2. A Finasterida é indicada para tratar qual tipo de calvície?

A Finasterida é prescrita para remediar um tipo de calvície específica: a alopecia androgenética, ou “calvície hereditária”, que atinge homens e mulheres.

A calvície nas mulheres costuma ser mais difusa e confere a sensação de cabelos finos. Já nos homens, geralmente as laterais e a nuca são preservadas, criando um padrão clássico de perda de fios na parte superior do couro cabeludo.

3. Como a Finasterida deve ser utilizada?

A posologia recomendada é de 1 comprimido de Finasterida de 1 mg ao dia, com ou sem alimentos.

4. Qual é o mecanismo de ação da Finasterida?

A testosterona é o principal hormônio masculino e exerce diversas funções. Ela está presente tanto no corpo masculino quanto no feminino, mas em quantidades menores no feminino. Em partes específicas do corpo, como a próstata, por exemplo, cerca de 5% da testosterona é transformado em di-hidrotestosterona, DHT — um tipo mais forte do hormônio e também 2 a 5 vezes mais intenso.

A alteração na recepção do hormônio di-hidrotestosterona leva à alopecia androgenética. Nela, ocorre um progressivo afinamento e miniaturização dos fios, desencadeando a queda de cabelo em quantidade maior do que a considerada habitual.

O que a Finasterida faz é conectar-se à enzima 5α-redutase, que é a responsável pela conversão de testosterona em DHT. Ao impedir que o processo de transformação aconteça, os níveis de DHT são reduzidos, mas a testosterona não é afetada, e os fios voltam a crescer.

5. A Finasterida recupera todos os fios? 

Na verdade, o que a Finasterida faz é reduzir a progressão da queda dos fios. Dessa forma, a calvície avança mais lentamente, permitindo que os folículos que estavam afinando e miniaturizando se recuperem.

Os fios voltam a crescer e isso faz com que preencham as áreas calvas. Porém, nem todos os folículos conseguem se recuperar, alguns já podem ter sido desativados permanentemente.

6. Em quanto tempo os resultados aparecem?

Assim como em todo tratamento, o uso da Finasterida é um processo. Como os fios só crescem, em média, 1,25 cm por mês, será necessário cerca de dois anos para atingir o ganho máximo.

Também é preciso lembrar que, para que haja sucesso no processo, o uso não dever ser interrompido.

7. Quais seriam os seus possíveis efeitos colaterais em mulheres?

uso desse medicamento em mulheres levanta um debate, e os resultados não aparentam ser tão satisfatórios como nos homens, apesar de existirem casos de sucesso.

A maior preocupação nesse caso é que, de acordo com as orientações apresentadas na própria bula do medicamento, mulheres em idade fértil ou grávidas não devem ingerir ou manusear comprimidos esfarelados ou quebrados de Finasterida.

Isso acontece porque, ao impedir a conversão de testosterona em DHT, a absorção do remédio por gestantes poderia causar anormalidades na genitália externa de fetos do sexo masculino.

8. O uso da Finasterida realmente pode causar impotência sexual?

Não. A administração da Finasterida foi avaliada em estudos clínicos, nos quais 945 homens foram tratados com essa substância e 934 receberam placebo, obtendo-se os seguintes resultados (dados da tabela retirados deste estudo):

  945 homens – Finasterida 934 homens – placebo
diminuição da libido 1,8 % 1,3 %
diminuição da função erétil 1,3 % 0,7 %

Conforme é possível perceber, na comparação dos resultados não houve uma diferença percentual relevante entre os pacientes que administraram a Finasterida e aqueles que ingeriram placebo — na bula do medicamento, inclusive, consta que não existiu descontinuidade do tratamento em razão dos efeitos colaterais apresentados.

Conheça os riscos e benefícios da Finasterida

Bom, como você percebeu ao longo do nosso artigo, o principal benefício da Finasterida é tratar a queda de cabelo para que ele volte a crescer. Mas esse efeito também pode ir além, e se estender para a barba. Ela age da mesma forma nessa parte do corpo, porém, é preciso respeitar o tempo de crescimento do pelo nessa área, que é de quatro a seis semanas.

Quanto aos riscos, além da preocupação com sua manipulação por mulheres, alguns possíveis inconvenientes devem ser considerados, como aumento do volume e da sensibilidade das mamas, edema labial e erupções cutâneas, todos considerados raros pela bula, com cerca de apenas 3% de incidência. 

Em casos que apresentaram efeitos colaterais, os problemas foram suspensos após a interrupção do tratamento. Entretanto, alguns pacientes apresentaram a síndrome pós-Finasterida, termo utilizado para descrever quadros de pessoas que precisaram passar por reposição hormonal para acabar com os efeitos colaterais.  

O uso tópico da Finasterida

A forma ideal de utilizar esse medicamento, sem correr os riscos colaterais, seria a versão tópica, ou seja, em cremes e pomadas. Porém, ainda é preciso superar um grande desafio, que é encontrar o veículo ideal para que a Finasterida possa penetrar no couro cabeludo apenas o suficiente, sem cair na corrente sanguínea, o que poderia gerar novos efeitos colaterais. 

Embora estime-se que, a cada dez homens com menos de setenta anos, oito têm predisposição à calvície como fator hereditário, é importante lembrar que as decisões relacionadas ao tratamento de pacientes com Finasterida devem ser tomadas somente pelos profissionais autorizados.

Apenas o médico especialista em tricologia e patologias do couro cabeludo consegue considerar as características de cada um. Até porque, mesmo nos casos em que a alopecia androgênica já tenha sido diagnosticada, a Finasterida pode ou não ser recomendada, a depender da avaliação médica — lembrando que, isoladamente, ela também não resolve por completo o problema da calvície.

E você, já usou esse medicamento ou tem outras dúvidas sobre os benefícios da Finasterida ou seus riscos? Deixe o seu comentário neste post! Queremos saber a sua opinião sobre o assunto!

Informações extraídas da bula do medicamento do laboratorio Biosintética e que se encontram disponíveis em http://www.bulas.med.br/bula/7373/finasterida.htm. Acesso em 29 ago. 2012.

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